Crónicas do Falar
I (Estrangeirismos)
Muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Acho de facto surpreendente o amarmos com tanta força e energia as grandiloquentes tradições como o massacre –ai!, perdão!; o espectáculo!!...— aos touros lá daquele Barrancos ou barracas ou barracões, não sei…, e não sei também, apenas e só, por que razão não havemos nós, já que tanta questão fazemos de seguir tradições, não havemos nós de viver em cavernas e viver da carne crua e nua dos tempos da caça bruta.
Monumental é também a monumentalidade das nódoas pretas, que nós tão civilizadamente imprimimos indeléveis nas calçadas e monumentos (glória às pastilhas elásticas!!!)…
Mas, de facto, aquilo que mais me faz sentir orgulhoso é esta nossa dedicação à língua, este cuidado redobrado que temos em falá-la correctamente, este ser pretoguês —ai!, perdão!; português!—, este amar esta pronúncia tão querida de tantos poetas e almas gentis, coitadinhos e coitadinhas, este trabalho de tradução e estabilização e equilíbrio do nosso falar…
Ah!, como somos excelsamente auto-confiantes e como está tão veemente o nosso sentimento patriótico!
Vejam só como tudo se enfeita de português, tudo hasteia a nossa bandeira neste vitorioso país. Mesmo os gangsters se vestem de verde e vermelho (ou vestem o verde de vermelho e nem ciao à vítima); mesmo as boutiques da fronteira e as toilettes dos restaurantes chinoises ousam continuar azujelados, mesmo o menu do snack-bar e aquele poster de nuances escandalosos a fazer de advertisement a um shampô, ali ao lado do stand a oferecer part-time job, performance do negócio cinco stars, que agora até site na Internet tem, se bem que seja yet um croquis…
Croquis esse que, por amor de Deus, mais bonito ficaria esboço, e yet seja ainda (quase parece o monstro das montanhas geladas), Internet porque não inter-rede, site porque não sítio, stars até é peixe mas estrelas é mais gracioso, obrigado; performance seja desempenho, ora diaulo!; seja part-time job trabalho de parcial tempo (ou inventem algo mais bonito, que é possível de certeza, preguiçosos que somos, ai!...); stand, posto (posto de vendas); shampô, capilar, ou que seja shampô, enfim..., não digo que não haja uma ou outra excepção; advertisement, publicidade; poster de nuances porque não cartaz de matizes?..., snack-bar seja pobrezinho coitadinho infeliz um anglicista se não surgir do Big Bang alguma mente brilhantemente estrangeira e inventar melhor, claro; menu seja ementa, chinoises sem comentários; toilettes quartos-de-banho, ou casas… (quem quer saber!…), boutiques lojas, por favor; ciao adeus até logo fiquem bem beijinhos abraços, gangsters bandidos que fica assim menos gangsterada esta gangster conversa...
E, muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Acho de facto surpreendente o amarmos com tanta força e energia as grandiloquentes tradições como o massacre –ai!, perdão!; o espectáculo!!...— aos touros lá daquele Barrancos ou barracas ou barracões, não sei…, e não sei também, apenas e só, por que razão não havemos nós, já que tanta questão fazemos de seguir tradições, não havemos nós de viver em cavernas e viver da carne crua e nua dos tempos da caça bruta.
Monumental é também a monumentalidade das nódoas pretas, que nós tão civilizadamente imprimimos indeléveis nas calçadas e monumentos (glória às pastilhas elásticas!!!)…
Mas, de facto, aquilo que mais me faz sentir orgulhoso é esta nossa dedicação à língua, este cuidado redobrado que temos em falá-la correctamente, este ser pretoguês —ai!, perdão!; português!—, este amar esta pronúncia tão querida de tantos poetas e almas gentis, coitadinhos e coitadinhas, este trabalho de tradução e estabilização e equilíbrio do nosso falar…
Ah!, como somos excelsamente auto-confiantes e como está tão veemente o nosso sentimento patriótico!
Vejam só como tudo se enfeita de português, tudo hasteia a nossa bandeira neste vitorioso país. Mesmo os gangsters se vestem de verde e vermelho (ou vestem o verde de vermelho e nem ciao à vítima); mesmo as boutiques da fronteira e as toilettes dos restaurantes chinoises ousam continuar azujelados, mesmo o menu do snack-bar e aquele poster de nuances escandalosos a fazer de advertisement a um shampô, ali ao lado do stand a oferecer part-time job, performance do negócio cinco stars, que agora até site na Internet tem, se bem que seja yet um croquis…
Croquis esse que, por amor de Deus, mais bonito ficaria esboço, e yet seja ainda (quase parece o monstro das montanhas geladas), Internet porque não inter-rede, site porque não sítio, stars até é peixe mas estrelas é mais gracioso, obrigado; performance seja desempenho, ora diaulo!; seja part-time job trabalho de parcial tempo (ou inventem algo mais bonito, que é possível de certeza, preguiçosos que somos, ai!...); stand, posto (posto de vendas); shampô, capilar, ou que seja shampô, enfim..., não digo que não haja uma ou outra excepção; advertisement, publicidade; poster de nuances porque não cartaz de matizes?..., snack-bar seja pobrezinho coitadinho infeliz um anglicista se não surgir do Big Bang alguma mente brilhantemente estrangeira e inventar melhor, claro; menu seja ementa, chinoises sem comentários; toilettes quartos-de-banho, ou casas… (quem quer saber!…), boutiques lojas, por favor; ciao adeus até logo fiquem bem beijinhos abraços, gangsters bandidos que fica assim menos gangsterada esta gangster conversa...
E, muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Edward Gonçalves Pinto
