terça-feira, fevereiro 22, 2005
domingo, fevereiro 20, 2005
Crónicas do Falar
II (Eis o preço das palavras.)
O saber não ocupa lugar. E o saber ler ou casualmente exprimir ideias num tom mais formal também não.
—Olha lá aquele, só palavras caras sabe dizer; parece palhaço, ninguém o percebe…
Pois… Isto é um facto bastante curioso, interessante por trivial, trivial por sem interesse, sem interesse por gostar eu muito de paradoxos. Mas passemos então à situação-problema, situação-ingenuidade, à situação erradamente mal interpretada: o preço das palavras.
Não será necessário demonstrar, pois quem não o sabe, que há, por parte da população mais jovem, estudante, um certo menosprezo perante uma língua mais invulgar na gíria comum, uma certa –digamos— erudição do falar; aquilo a que é no corrente “falar caro”, por “palavras caras”.
Ora por mim até tudo estaria certo; teorias várias e lógicas há-as no mundo, há senão é quando não podem ter, não têm fundamento.
Palavras caras? Acaso têm preço as palavras?
Ah!, é lógico, claro, ah!, como me esquecia disso, óbvio óbvio óbvio: são umas maiores do que outras, ora isso implica relativo maior ou menor gasto de tinta ao escrevê-las, mais saliva ao pronunciá-las, eis que sai muito caro uma caneta, eis que sai muito cara a comida, combustível das funções orgânicas humanas.
Mas não é isto, não. Não é isto a que se referem os acusadores. Referem-se eles a palavras que só complicam o discurso, que o mistificam em teias enevoadas e de díficil percepção, muito paleio e pouca luz, ou como diriam outros, muita parra e pouca uva, pouca informação, muita snobice, dizem, muita cromice.
E não duvido que seja possível, assim, ser desnecessário algum vocábulo aqui ou acolá –mas sempre?, raras vezes?... … dependerá isso do texto, do autor, da intenção; o certo é que tenho de atribuir esta rejeição negligente à falta de leitura e vontade em compreender as palavras e seus significados. É, por outro lado, sabido que se há milhões de palavras há milhões de razões para tal, uma para cada uma (podemos mesmo, naquelas chamadas sinónimos, achar uma, mesmo que minúscula, diferença de carácter, ideia, objecto, sentimento que se pretende transmitir entre elas.
Tomemos o exemplo: «Será diuturno e indelével o nosso cálido amor, ou terá precocemente ocaso?». Agora contemos: 12 palavras. Doze.
Fazendo uma tradução aproximada (rua com as palavras ditas dispendiosas): «Será que o nosso quente amor durará muito tempo e que é impossível de se apagar, ou terá, ele que é como que uma estrela, precoce fim?». Agora contemos: 27 palavras. Vinte e sete. Mais do que o dobro, para que a informação não seja muito deturpada. Uma coisa não é outra. Mas agora, afinal de contas, digam-me lá… Quais são as palavras caras? Não serão mais as segundas!?...
E porque havemos nós de continuar a viver num discurso infantil de raciocínio, cujo léxico diminuto enferruja a nossa capacidade, competência verbal e inteligente? (Poucas palavras, poucas ideias, poucas paixões.).
Há um sentimento geral de impaciência e pouca vontade de explorar perante a literatura, perante a poesia, et caetera, mas realmente, o saber não ocupa lugar. E o saber ler ou casualmente exprimir ideias num tom mais formal também não.
O saber não ocupa lugar. E o saber ler ou casualmente exprimir ideias num tom mais formal também não.
—Olha lá aquele, só palavras caras sabe dizer; parece palhaço, ninguém o percebe…
Pois… Isto é um facto bastante curioso, interessante por trivial, trivial por sem interesse, sem interesse por gostar eu muito de paradoxos. Mas passemos então à situação-problema, situação-ingenuidade, à situação erradamente mal interpretada: o preço das palavras.
Não será necessário demonstrar, pois quem não o sabe, que há, por parte da população mais jovem, estudante, um certo menosprezo perante uma língua mais invulgar na gíria comum, uma certa –digamos— erudição do falar; aquilo a que é no corrente “falar caro”, por “palavras caras”.
Ora por mim até tudo estaria certo; teorias várias e lógicas há-as no mundo, há senão é quando não podem ter, não têm fundamento.
Palavras caras? Acaso têm preço as palavras?
Ah!, é lógico, claro, ah!, como me esquecia disso, óbvio óbvio óbvio: são umas maiores do que outras, ora isso implica relativo maior ou menor gasto de tinta ao escrevê-las, mais saliva ao pronunciá-las, eis que sai muito caro uma caneta, eis que sai muito cara a comida, combustível das funções orgânicas humanas.
Mas não é isto, não. Não é isto a que se referem os acusadores. Referem-se eles a palavras que só complicam o discurso, que o mistificam em teias enevoadas e de díficil percepção, muito paleio e pouca luz, ou como diriam outros, muita parra e pouca uva, pouca informação, muita snobice, dizem, muita cromice.
E não duvido que seja possível, assim, ser desnecessário algum vocábulo aqui ou acolá –mas sempre?, raras vezes?... … dependerá isso do texto, do autor, da intenção; o certo é que tenho de atribuir esta rejeição negligente à falta de leitura e vontade em compreender as palavras e seus significados. É, por outro lado, sabido que se há milhões de palavras há milhões de razões para tal, uma para cada uma (podemos mesmo, naquelas chamadas sinónimos, achar uma, mesmo que minúscula, diferença de carácter, ideia, objecto, sentimento que se pretende transmitir entre elas.
Tomemos o exemplo: «Será diuturno e indelével o nosso cálido amor, ou terá precocemente ocaso?». Agora contemos: 12 palavras. Doze.
Fazendo uma tradução aproximada (rua com as palavras ditas dispendiosas): «Será que o nosso quente amor durará muito tempo e que é impossível de se apagar, ou terá, ele que é como que uma estrela, precoce fim?». Agora contemos: 27 palavras. Vinte e sete. Mais do que o dobro, para que a informação não seja muito deturpada. Uma coisa não é outra. Mas agora, afinal de contas, digam-me lá… Quais são as palavras caras? Não serão mais as segundas!?...
E porque havemos nós de continuar a viver num discurso infantil de raciocínio, cujo léxico diminuto enferruja a nossa capacidade, competência verbal e inteligente? (Poucas palavras, poucas ideias, poucas paixões.).
Há um sentimento geral de impaciência e pouca vontade de explorar perante a literatura, perante a poesia, et caetera, mas realmente, o saber não ocupa lugar. E o saber ler ou casualmente exprimir ideias num tom mais formal também não.
Edward Gonçalves Pinto
Crónicas do Falar
I (Estrangeirismos)
Muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Acho de facto surpreendente o amarmos com tanta força e energia as grandiloquentes tradições como o massacre –ai!, perdão!; o espectáculo!!...— aos touros lá daquele Barrancos ou barracas ou barracões, não sei…, e não sei também, apenas e só, por que razão não havemos nós, já que tanta questão fazemos de seguir tradições, não havemos nós de viver em cavernas e viver da carne crua e nua dos tempos da caça bruta.
Monumental é também a monumentalidade das nódoas pretas, que nós tão civilizadamente imprimimos indeléveis nas calçadas e monumentos (glória às pastilhas elásticas!!!)…
Mas, de facto, aquilo que mais me faz sentir orgulhoso é esta nossa dedicação à língua, este cuidado redobrado que temos em falá-la correctamente, este ser pretoguês —ai!, perdão!; português!—, este amar esta pronúncia tão querida de tantos poetas e almas gentis, coitadinhos e coitadinhas, este trabalho de tradução e estabilização e equilíbrio do nosso falar…
Ah!, como somos excelsamente auto-confiantes e como está tão veemente o nosso sentimento patriótico!
Vejam só como tudo se enfeita de português, tudo hasteia a nossa bandeira neste vitorioso país. Mesmo os gangsters se vestem de verde e vermelho (ou vestem o verde de vermelho e nem ciao à vítima); mesmo as boutiques da fronteira e as toilettes dos restaurantes chinoises ousam continuar azujelados, mesmo o menu do snack-bar e aquele poster de nuances escandalosos a fazer de advertisement a um shampô, ali ao lado do stand a oferecer part-time job, performance do negócio cinco stars, que agora até site na Internet tem, se bem que seja yet um croquis…
Croquis esse que, por amor de Deus, mais bonito ficaria esboço, e yet seja ainda (quase parece o monstro das montanhas geladas), Internet porque não inter-rede, site porque não sítio, stars até é peixe mas estrelas é mais gracioso, obrigado; performance seja desempenho, ora diaulo!; seja part-time job trabalho de parcial tempo (ou inventem algo mais bonito, que é possível de certeza, preguiçosos que somos, ai!...); stand, posto (posto de vendas); shampô, capilar, ou que seja shampô, enfim..., não digo que não haja uma ou outra excepção; advertisement, publicidade; poster de nuances porque não cartaz de matizes?..., snack-bar seja pobrezinho coitadinho infeliz um anglicista se não surgir do Big Bang alguma mente brilhantemente estrangeira e inventar melhor, claro; menu seja ementa, chinoises sem comentários; toilettes quartos-de-banho, ou casas… (quem quer saber!…), boutiques lojas, por favor; ciao adeus até logo fiquem bem beijinhos abraços, gangsters bandidos que fica assim menos gangsterada esta gangster conversa...
E, muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Acho de facto surpreendente o amarmos com tanta força e energia as grandiloquentes tradições como o massacre –ai!, perdão!; o espectáculo!!...— aos touros lá daquele Barrancos ou barracas ou barracões, não sei…, e não sei também, apenas e só, por que razão não havemos nós, já que tanta questão fazemos de seguir tradições, não havemos nós de viver em cavernas e viver da carne crua e nua dos tempos da caça bruta.
Monumental é também a monumentalidade das nódoas pretas, que nós tão civilizadamente imprimimos indeléveis nas calçadas e monumentos (glória às pastilhas elásticas!!!)…
Mas, de facto, aquilo que mais me faz sentir orgulhoso é esta nossa dedicação à língua, este cuidado redobrado que temos em falá-la correctamente, este ser pretoguês —ai!, perdão!; português!—, este amar esta pronúncia tão querida de tantos poetas e almas gentis, coitadinhos e coitadinhas, este trabalho de tradução e estabilização e equilíbrio do nosso falar…
Ah!, como somos excelsamente auto-confiantes e como está tão veemente o nosso sentimento patriótico!
Vejam só como tudo se enfeita de português, tudo hasteia a nossa bandeira neste vitorioso país. Mesmo os gangsters se vestem de verde e vermelho (ou vestem o verde de vermelho e nem ciao à vítima); mesmo as boutiques da fronteira e as toilettes dos restaurantes chinoises ousam continuar azujelados, mesmo o menu do snack-bar e aquele poster de nuances escandalosos a fazer de advertisement a um shampô, ali ao lado do stand a oferecer part-time job, performance do negócio cinco stars, que agora até site na Internet tem, se bem que seja yet um croquis…
Croquis esse que, por amor de Deus, mais bonito ficaria esboço, e yet seja ainda (quase parece o monstro das montanhas geladas), Internet porque não inter-rede, site porque não sítio, stars até é peixe mas estrelas é mais gracioso, obrigado; performance seja desempenho, ora diaulo!; seja part-time job trabalho de parcial tempo (ou inventem algo mais bonito, que é possível de certeza, preguiçosos que somos, ai!...); stand, posto (posto de vendas); shampô, capilar, ou que seja shampô, enfim..., não digo que não haja uma ou outra excepção; advertisement, publicidade; poster de nuances porque não cartaz de matizes?..., snack-bar seja pobrezinho coitadinho infeliz um anglicista se não surgir do Big Bang alguma mente brilhantemente estrangeira e inventar melhor, claro; menu seja ementa, chinoises sem comentários; toilettes quartos-de-banho, ou casas… (quem quer saber!…), boutiques lojas, por favor; ciao adeus até logo fiquem bem beijinhos abraços, gangsters bandidos que fica assim menos gangsterada esta gangster conversa...
E, muito franca e sinceramente, acho de enorme nobreza esta tão grande vontade que nós, lusos e lusitos e lusitanos e portugueses, temos em preservar o que é nosso.
Edward Gonçalves Pinto
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
Coiso
Sabes, eu cá nunca pensei no coiso como o outro lado da coisa... o coiso é o (marido/namorado/amante/kkl coisa) masculino da coisa! Prque se o coiso é o outro lado da coisa, então a coisa tem de ser o outro lado do coiso! E se é assim, o k é feito das outras coisas? Será que todas as coisas têm o seu coiso? E as cosinhas e as coisitas? Também têm coisinhos e coisitos? Isto da coisa tem k se lhe diga! Até porque reparem... Se o coiso é mesmo outro lado da coisa, então depois do coiso não há nada! Tens uma coisa, e do outro lado tá um coiso. E dps é assim? Não há mais nada? Não há mais nenhuma coisa? Então as coisas limitam-se a ser o outro lado dos coisos e os coisos o outro lado das coisas?! Mas então pa ke k existem as coisas? E os coisos??
uma rapariga extremamente confusa e baralhada...
P.S.: comentem! manifestem-se! deêm a vossa sincera opinião sobre as coisas, os coisos e desvendem o mistério: o que estará do Outro lado da Coisa...
"O Outro lado da coisa"
"O Outro lado da coisa"... pensei, pensei, pensei... e cheguei a um novo patamar! O Outro lado da coisa é... o coiso!!! Claro!! E vocês o que acham?
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Sorriso Metálico
Esta é a Sofia. Ela é a personagem principal de uma série que passa na 2: Sorriso Metálico (Braceface, no original). Vendo a imagem, dá para perceber porque é que ela é a protagonista, ne?
Nós adoramos ver esta série. A conflituosa relação dela com o Álvaro, a sua inimiga nº1, Nina, ... e etc por aí fora. A sério, estes desenhos animados são demais!! Mas a verdade é que este post tem uma razão de ser (para além de gostarmos d ver os d.a). Estamos a pôr esta imagem hoje em honra à Joana! Quem conhece a Joana, tá-se a rir, quem não conhece, pode puxar pela imaginação porque eu não vou contar o que aconteceu à Joana hoje.
Deixo só um recado para todos os que têm aparelho: Pensem bem antes de tirar o aparelho! A vossa vida pode mudar depois disso!!



